Topo

Adaptações de crimes como o Caso Richthofen devem ser mais frequentes

Chico Barney

19/07/2018 14h32

(Foto: Reprodução/Record TV)

Causou certo desconforto na sociedade brasileira a notícia de que um filme sobre o crime cometido por Suzane Von Richthofen e os famigerados Irmãos Cravinhos ganhará as salas de cinema no ano que vem. O brutal assassinato dos pais de Suzane, na época uma jovem garota de classe média alta, ainda é uma ferida aberta no inconsciente coletivo.

Internautas correram à rede social mais próxima para lamentar a iniciativa, cujo título provisório é o pouco sutil "A menina que matou os pais". "Quem se interessa por essa história?", bradou uma indignada cidadã. Compreendo a revolta, mas não consigo pensar em muitas narrativas que atraiam tanta atenção quanto esta.

Adaptações dramatúrgicas de crimes célebres estão entre as mais sólidas instituições do entretenimento mundial. Desde documentários encharcados de sangue, cada vez mais populares graças ao advento da Netflix, até séries e filmes com interpretações marcantes de realizadores consagrados.

Sarah Paulson, Cuba Gooding Jr e John Travolta em cena de "American Crime: O Povo Contra O. J. Simpson" (Foto: Divulgação/FX)

A televisão norte-americana investes pesado no gênero "true crime", que em bom português seria algo como "crimes que aconteceram de verdade, na vida real, e nem por isso deixam de ser histórias interessantes, edificantes ou até mesmo educativas".

Com a concorrência causada pela vasta oferta de conteúdo dos dias atuais, é natural que as produtoras recorram a casos cada vez mais recentes e famosos para suas histórias. A Globo, por exemplo, prepara para breve o lançamento da série "Assédio", sobre os crimes cometidos pelo médico Roger Abdelmassih. Tenho a impressão de que isso é só o começo.

A proximidade "afetiva" de casos como o de Richthofen causa espanto e revolta em determinados setores da audiência a respeito decisão de recontar esses crimes. Mas me parece que a curiosidade por um olhar autoral seja ainda maior que a rejeição. É questão de tempo até acompanharmos os primeiros passos de produções sobre os Nardoni, o goleiro Bruno e tantas outras sagas sombrias e de tão triste lembrança, a exemplo do que já vimos sobre O. J. Simpson, Charles Manson e tantos outros meliantes estrangeiros.

Voltamos a qualquer momento com novas informações.

Sobre o autor

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002

Chico Barney