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Falta só o Cabeção para "Topíssima" se tornar a melhor "Malhação" da década

Chico Barney

28/05/2019 20h26

Cabeção é Topíssimo (Fotos: Reprodução)

Durante a maior parte dos seus primeiros 15 anos, a novelinha jovem "Malhação" tinha como cenário uma escola e uma lanchonete. O colégio "Múltipla Escolha" e o famigerado "Gigabyte" se tornaram verdadeiros ícones da cultura popular, como qualquer cidadão com mais de 25 anos certamente vai se lembrar.

Eram tramas aparvalhadas, eventualmente debatendo de maneira rudimentar alguns temas importantes para a sociedade civil. Além disso, personagens quase sempre caricatos, usualmente com atores mais velhos escalados como adolescentes. Uma festança.

A longa narrativa foi interrompida em 2010, quando a Globo cansou dos cenários antigos e passou a contar histórias totalmente novas em cada temporada. Apesar do sucesso de público e crítica da fase "Viva a Diferença" em 2017, as outras não foram tão marcantes quanto a gloriosa fase anterior.

Pois a novela "Topíssima", que estreou semana passada na Record, está assumindo com louvor o legado dos anos de "Múltipla Escolha". Em vez do colégio, uma universidade. A ação ocorre nos bastidores do grupo que comanda a instituição e também no dia a dia dos alunos.

Tudo é exagerado e sem maiores conexões com a vida real. Qualquer indício de naturalismo foi para o vinagre quando Maurício Mattar surgiu ostentando um pomposo cavanhaque, com direito a bigode virado para o alto, um chapéu de artista e até uma providencial echarpe. Ele interpreta o pai da protagonista, Camila Rodrigues.

E a atriz também vive um adorável clichê ambulante, a herdeira que se apaixona por um homem rústico. Sua mãe é Cristiana Oliveira, na pele de uma perua que é a Anti-Juma Marruá. No mais, toda a discussão sobre a perigosa droga Veludo Azul acontece da mesma forma rasa e extremamente simplista, como nas antigas tramas de fim de tarde da Globo.

Para se tornar a melhor "Malhação" da década, falta só trazer de volta o eterno Cabeção, trabalho de ourives do ator Serginho Hondjakoff. Todo o espírito daqueles anos dourados da teledramaturgia juvenil está plenamente recuperada. Precisamos apenas dessa cereja no bolo.

Nostalgia da modernidade (Foto: Reprodução)

Hondjakoff passou um tempo afastado das redes sociais depois de um momento difícil, mas está de volta. Antes disso, protagonizou o mais importante filme já rodado em Resende, no Rio de Janeiro. Está mais do que preparado para o novo desafio.

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Sobre o autor

Entusiasta e divulgador da cultura muito popular. Escreve sobre os intrigantes fenômenos da TV e da internet desde 2002

Chico Barney